Dói demais. Saber que há algo em ti que quer nascer… e não saber por onde começar.
Miriam Augusto
Há uma versão tua que só acorda quando o mundo adormece.
A versão que ninguém vê.
A versão que ninguém ouve.
A versão que só fala contigo… às 3 da manhã.
É ela que te pergunta, no silêncio:
“Por que é que eu continuo a sentir que não estou no sítio certo da minha vida?”
E logo a seguir, aquela pergunta que te rasga por dentro:
“O que é que está errado comigo?”
Não dizes isto a ninguém.
Por fora estás “funcional”.
Por dentro estás exausta.
Exausta de te esforçar.
Exausta de recomeçar.
Exausta de esperar que “um dia tudo encaixe”.
Porque a verdade crua é esta:
Tu sentes o teu potencial.
Sabes que há mais.
Sabes que não vieste para viver assim.
Presa, desalinhada, cansada de tentar.
Dói demais.
Saber que há algo em ti que quer nascer… e não saber por onde começar.
Às 3 da manhã, quando acordas a meio da noite, a tua mente corre assim:
— “Eu devia estar mais longe.”
— “Eu devia sentir-me diferente.”
— “Eu devia ter rumo.”
— “Eu devia conseguir.”
E depois surge o medo que nunca dizes em voz alta:
“E se eu nunca encontrar o meu lugar?”
Mesmo rodeada de gente, sentes-te sozinha.
Sentes que ninguém te vê verdadeiramente.
Que ninguém percebe o que estás a atravessar.
E no fundo, só querias isto:
ser vista com verdade
ser guiada, com presença.
ser ajudada a encontrar clareza.
Se pudesses enviar uma mensagem às 3 da manhã, seria esta:
“Podes ajudar-me a perceber onde estou e para onde é que a minha alma me está a puxar?”
Mas não envias.
Porque tens medo de ser fraca.
Tens medo de incomodar.
Tens medo de ser “demasiado”.
Eu vejo-te.
E digo-te o que ninguém te disse:
Não é falha.
Não é preguiça.
Não é incapacidade.
Tu estás simplesmente sem mapa.
E é aqui que o teu caminho começa a mudar.
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Foto de capa de Emily Morter na Unsplash


