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Miriam Augusto

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Andreia Couceiro: O sentido das emoções e o poder da transformação

Conheci a Andreia Couceiro em dezembro de 2018, quando se juntou a mim numa viagem por Bali, na época do Natal e da passagem de ano. Nessa altura, a Andreia fazia 40 anos e escolheu este destino para entrar na nova década. Desde então, mantivemos o contacto e, desde cedo, nasceu entre nós um carinho especial.

A Andreia é a doçura, a compreensão, a serenidade e a boa-onda em pessoa. Tem uma presença que acalma, um olhar que acolhe e uma escuta que faz sentir segurança. O seu percurso de vida conferiu-lhe uma maturidade emocional e mental que transparece no convívio com ela. Há nela uma sabedoria tranquila, feita de experiência, entrega e autenticidade.

Sendo ela psicóloga, não hesito em reencaminhar-lhe clientes meus que, na minha óptica, beneficiariam desse acompanhamento. Faço-o porque confio plenamente no seu trabalho, na sua sensibilidade e na forma humana e ética como conduz os processos terapêuticos.

Esta é a minha homenagem à Andreia Couceiro: a mulher, a emoção, a psicóloga, a amiga, a presença que transforma simplesmente por existir.

Hoje, a voz que se ouve é de Andreia Couceiro!

Andreia, olhando para os teus primeiros anos, rodeada de família e de experiências de observação e escuta, que valores e aprendizagens dessa fase ainda hoje norteiam a tua vida e prática profissional?

Entre a escuta e o silêncio, a Andreia Couceiro habita o espaço onde as emoções ganham sentido.

Quando penso na minha infância, são poucas as imagens e memórias que me surgem, com muita pena minha. Recordo-a, algumas vezes, com base no que me vão contando. Ao longo dos anos, com o trabalho psicoterapêutico que tenho feito, apercebo-me de que o não me ter sentido vista, compreendida e acolhida na minha individualidade e necessidades fez com que me tornasse expert em observar o comportamento dos outros, das suas necessidades e desenvolvi uma grande capacidade de estar sempre disponível. Tudo isso tem sido extremamente útil na profissão que escolhi ter. A minha sensibilidade, capacidade de escuta e de compreensão, facilidade em empatizar proporcionam uma sensação de segurança fundamental para ajudar quem me procura. Valores como priorizar-me, colocar limites, parar para acolher o que sinto e dar-me tempo para integrar as vivências, conhecer-me verdadeiramente e respeitar-me foram construídos já na idade adulta, uma vez que senti não ter tido a oportunidade de os ter aprendido ao longo da infância e adolescência. Estas aprendizagens permitem-me ter mais compaixão comigo e com os outros, algo que valorizo cada vez mais.

No momento em que descobriste a Psicologia, sentiste uma conexão com o mundo interior das pessoas. O que foi mais desafiante e emocionante ao transformar essa paixão numa carreira que já conta com mais de 24 anos?

Esta paixão antiga começou de forma muito natural e transformou-se em sentido e propósito de vida. Inicialmente a conexão foi, de facto, mais com o mundo interior dos outros e, pouco a pouco, fui tomando consciência e contacto com o meu próprio mundo interno, de luz e de sombra. Algo que considero, ao longo de todos estes anos, verdadeiramente desafiante é nos meus momentos de maior fragilidade e dor emocional conseguir estar disponível e presente para ajudar pessoas, também elas em profundo sofrimento. Se por um lado as minhas dores facilitam a empatia com as das pessoas que me procuram, nalguns momentos sentia-me a ser tocada pelas histórias dos outros e a levar para casa alguns “pesos acrescidos”. Por isso mesmo, é tão importante os psicoterapeutas fazerem também psicoterapia. O privilégio de poder acompanhar pessoas nos seus processos de profunda transformação é, por si só, bastante emocionante e desafiante.

Como psicóloga clínica, psicoterapeuta e formadora, já acompanhaste inúmeras pessoas em momentos delicados. Que experiências marcaram profundamente a tua forma de ver e sentir a vida?

Já são muitos anos, muitas pessoas e muitas histórias. Não há vidas fáceis é a primeira aprendizagem que me apetece partilhar, uma vez que ainda é muito comum o olhar sobre a vida do outro com a perspetiva de que a vida dos outros é mais fácil. Neste jogo que é a vida, não começamos todos na mesma “casa da partida”. Há inícios de vida com maior abundância, outros com maior escassez e, apesar desse início poder definir uma trajetória quase como se destino se tratasse, muitos são os que contrariam essas tendências. O ser humano tem uma capacidade de se reconstruir que só conhece mediante os obstáculos com que se vai deparando. Algo muito marcado em mim é também procurar julgar e criticar menos as escolhas e opções de cada um. A maior parte das vezes não fazemos ideia do que está por detrás de cada “rosto” e dos desafios que está a passar.

Não há vidas fáceis; o ser humano tem uma capacidade de se reconstruir que só conhece mediante os obstáculos com que se vai deparando.

Ao longo da tua carreira, trabalhaste em contextos muito distintos, desde o Estabelecimento Prisional de Coimbra até projetos de inclusão social. Que competências pessoais e profissionais emergiram dessas experiências?

Uma vez que as minhas primeiras experiências profissionais foram nesses contextos, muitas das minhas competências atuais foram também desenvolvidas nesses anos de trabalho. O que posso destacar: resiliência, capacidade de adaptação, sentido de responsabilidade, confiança, humildade e tolerância.

Criar o “Emoções com Sentido” foi um passo importante na tua vida. Como é que a tua própria transformação pessoal se reflete na forma como guias outras pessoas a compreenderem e sentirem melhor as suas emoções?

Em termos profissionais, foi sem dúvida o passo mais importante e de maior fé. Trabalhar de forma independente é um enorme desafio. Esta decisão traduziu um longo percurso de desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional, culminando na confiança e segurança necessária para o fazer. Ao longo da minha vida, muitos têm sido os períodos de grandes transformações e consequentes aprendizagens. Sinto que o facto de já ter estado em lugares emocionais de vazio, de tristeza, de angústia, de ansiedade, de desesperança, de medo, de dúvida me facilita o entendimento das pessoas quando também estão nesses lugares. Dar um sentido às emoções, permitindo que se sintam vistas e compreendidas, torna as suas experiências mais suaves.

Dizes-te “Mulher inconformista e inquieta, viajante e estudiosa da vida”, como usas essa curiosidade e paixão pelo mundo para inspirar e motivar quem te procura?

Psicóloga e estudiosa da vida, a Andreia Couceiro transforma a inquietação em presença e a curiosidade em escuta, ajudando outros a dar sentido às suas emoções.

Como disse Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta: “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolhi me tornar.” Esta frase serve como pano de fundo da forma como me procuro posicionar na vida. Independentemente das experiências desafiantes que a vida me tem trazido, não me resigno ao desconforto e desequilíbrio que me provocaram, mas sim a compreender de que forma essas aprendizagens me podem ajudar a crescer, a adquirir sabedoria e a acompanhar outras pessoas nos seus próprios processos de crescimento. Acredito que o facto de já ter vivido grandes períodos de depressão grave me fez valorizar ainda mais a vida e o tanto que ela nos pode proporcionar e que, por vezes, me torno inquieta na forma como a vivo.

A tua carreira é marcada por aprendizagem constante: terapias, coaching, mindfulness, nutrição integrativa… Qual destas formações impactou mais a tua visão do ser humano e porquê?

Não consigo selecionar uma das formações. Cada uma delas, no momento em que a escolhi fazer, fez-me muito sentido. Normalmente vou à procura de conhecimento e aprendizagens de que estou a precisar no momento, para mim e que possam depois ser úteis para ajudar outras pessoas.

Na vida pessoal, a família é a tua base e força. Que papel acreditas que o apoio familiar desempenha no sucesso e bem-estar de uma mulher que deseja construir uma carreira de impacto?

Na minha opinião, a família (seja ela biológica ou de coração) é fundamental para sustentar e apoiar qualquer vida emocionalmente significativa. O sentimento de pertença e de me sentir amada têm sido pilares essenciais na minha construção enquanto pessoa e em todo o meu percurso. Valores como coragem, solidariedade, generosidade, determinação, resiliência e persistência foram-me transmitidos nas vivências proporcionadas também pela minha família. Tudo isto norteia a minha vida e aquilo que considero uma vida de impacto. Para mim o papel profissional é apenas uma das muitas dimensões do que considero uma vida de sucesso.

Que mensagem gostarias de deixar a outras mulheres que sentem o desejo de crescer, de se conhecerem melhor e de viverem de forma mais autêntica e equilibrada?

O meu percurso de vida tem-me reforçado muito um sentimento de gratidão pela vida e pela oportunidade de a podermos viver com mais sentido e prazer. O caminho de autoconhecimento e de crescimento tem sido muito revelador do que para mim é viver de forma autêntica. O condicionamento de que todas somos alvo na nossa infância afasta-nos de nós, das nossas necessidades e dos nossos desejos. Somos muito formatadas para cumprir determinados papéis, muitas das vezes sem nos questionarmos se é isso mesmo que queremos. Dediquem tempo a conhecer-se melhor e a regar a planta do Amor Próprio, com ou sem ajuda profissional, para que a vossa vida traduza o que querem fazer com ela e não corresponda simplesmente ao que é esperado e às expectativas de outros.

Dediquem tempo a conhecer-se melhor e a regar a planta do Amor-Próprio, para que a vossa vida traduza o que querem fazer com ela e não corresponda simplesmente ao que é esperado.

Olhando para o futuro, quais os sonhos e desafios que te motivam a continuar a criar impacto, tanto na tua vida pessoal como na vida de quem confia em ti para gerir as suas emoções com sentido?

Com o passar dos anos, tenho procurado viver mais o presente e sonhado mais a curto e médio prazo. Sentia-me cansada e desgastada quando antes pensava muito no futuro, definia muitos objetivos e a maior parte deles não se concretizavam. Agora opto por ir “desenhando” e criando os meus sonhos à medida que a vida se vai revelando. Tenho gostado muito desta nova forma de estar e sinto-a de forma bem mais leve do que a anterior. O meu maior desafio é manter-me fiel aos meus valores e sem me perder de mim, numa sociedade cada vez mais frenética e doente.

Acredito que a verdadeira transformação não tem bilhete de regresso. Viajei o mundo e atravessei tempestades internas: depressões, burnout, mudanças de direção, despedidas de projetos. Em cada um desses momentos, a viagem foi o meu espelho, o meu guia e a minha medicina. Criei agências, vendi sonhos, vivi em Bali, surfei as minhas sombras e reencontrei a minha voz. Hoje, guio experiências de regresso à tua essência através da astrologia, da mentoria e de viagens que, mais do que mostrarem o mundo, te ajudam a veres-te a ti.