Depressão aos 30: Fui ao fundo, fui a Bali e voltei a mim
Já marquei o número do centro de saúde 9 vezes.
Ninguém atendeu.
Penso para comigo que talvez não seja suposto atenderem.
Talvez seja isto, a linha final.
Decido ligar mais uma vez e, se ninguém atender, acabou!
Nem sequer ouço o telefone a chamar e já a chamada está a ser reencaminhada para a minha médica.
Estou a chorar desesperadamente.
Preciso de ajuda!
“Venha aqui imediatamente!” disse ela.
“Não pare em lado nenhum. Venha já para aqui!”
Fico cerca de uma hora com ela.
Ela fala o tempo todo. Faz-me várias perguntas para tentar perceber o que se passa.
A única resposta que sai da minha boca é: “Não sei!”, enquanto as lágrimas me escorrem pela cara.
Depressão
Passo os meses seguintes isolada em casa.
O meu quarto é o meu mundo.
Lighthouse, de Patrick Watson é a minha banda sonora diária.
Durante estes meses, não olho para o espelho.
Não consigo olhar para mim.
Não me suporto.
Estou em guerra comigo própria.
Não quero sair.
Não é seguro.
Não quero ver pessoas.
Não lhes consigo dar o que esperam de mim.
Vou-me afundando cada vez mais.
Durmo o tempo todo.
Choro quando estou acordada.
Aos poucos, começo a encontrar o caminho de volta.
Um ano e meio sob medicação.
Finalmente, volto a sentir-me eu.
O Retorno de Saturno
Ao estudar Astrologia, percebi o que sustentava aquele vazio negro (ou será um despertar?) — o meu Retorno de Saturno.
Este evento astrológico acontece, pela primeira vez, por volta dos 29/30 anos, quando Saturno regressa ao ponto exacto onde estava no momento do nosso nascimento. E quando isso acontece, somos chamados a crescer. A amadurecer. A alinhar-nos com a nossa verdade. Mas esse chamamento nem sempre é gentil. É, muitas vezes, brutal.
No meu caso, Saturno está em Escorpião, na Casa 9.
Escorpião é o signo da transformação, da morte simbólica, da profundidade emocional. A casa 9 é a casa da filosofia, espiritualidade, sabedoria superior, viagens e expansão de consciência. Esta combinação pôs-me frente a frente com questões existenciais profundas. Chamou-me de volta à espiritualidade da qual me tinha desligado, talvez por medo, talvez por cansaço, talvez por ter deixado de acreditar.
Naquela altura, estava “perdida”, não no sentido literal, mas como se tivesse saído do meu próprio caminho. Quando Saturno regressou ao ponto onde estava no momento do meu nascimento, tudo começou a colapsar… para que eu me pudesse reencontrar.
Voltei a mim. Voltei ao meu caminho.
Comecei a viajar imenso, ainda mais do que já viajava, tendo até tornado as viagens a minha profissão. Era como se o mundo lá fora espelhasse a viagem que estava a acontecer dentro de mim. Abri horizontes, literalmente e espiritualmente. Fiz o curso de Reiki — aquele ponto de partida tão comum para tantos de nós na jornada de cura. E num chamado interior que não consigo explicar racionalmente, fui parar a Bali. E Bali… Bali deu-me tanto. Transformou-me. Fez-me escavar ainda mais fundo, para poder voltar a nascer.
O que aprendi com o Retorno de Saturno
Já passaste por isso, ou estás prestes a entrar, ou estás mesmo no meio das trincheiras turbulentas.
O Retorno de Saturno é uma travessia. Um processo profundo de desconstrução e reconstrução. É o momento em que tudo aquilo que está desalinhado na nossa vida começa a ruir. E isso pode vir com perda, com sofrimento, com estados de ansiedade, solidão ou até depressão. É como se o universo nos dissesse: “Acorda. Isto não é tudo o que és.”
Se estás, ou vais entrar no teu Retorno de Saturno, e te sentes sem chão, em conflito interno, ou emocionalmente esgotada, quero que saibas: eu vejo-te, sinto-te, e também te ouço. (Se precisares de alguém com quem falar, envia-me uma mensagem.)
Saturno não destrói por crueldade. Ele destrói para libertar. Para limpar o terreno. Para que possas construir algo verdadeiro, duradouro, teu. Ele não quer que sofras, quer que te encontres.
O teu “eu” do futuro está a torcer por ti. Com força e esperança.
Se estás neste período cinzento da tua vida, aqui ficam algumas dicas para atravessá-lo:
- Procura ajuda profissional. Não tens de passar por isto sozinha. Terapia ou acompanhamento médico são essenciais.
- Explora a tua espiritualidade. Voltar ao teu centro, seja através da meditação, reiki, astrologia, ou outra prática, pode trazer-te clareza e força.
- Escreve. A escrita pode ser libertadora. Dá voz ao que está dentro de ti, sem censura.
- Viaja, se puderes. Às vezes precisamos de sair do lugar físico para nos reencontrarmos no plano interno.
- Confia no processo. Pode não fazer sentido agora, mas há uma lógica maior a desenrolar-se. Tudo o que estás a viver tem um propósito.
Como costumo dizer: É maravilhoso! Não é fácil, mas é maravilhoso.


